Crepúsculo da dor

Fitei teus belos olhos escuros,
Aurora soturna das horas notívagas do porvir.
Brilhavam tanto, tão puros,
E como uma mariposa, não consegui fugir.

Taciturno olhar, quem diria,
Que transformaria em sombras os lamentos?
E ao vê-lo assim, que teria
Um afago em meio aos meus tormentos.

Estou preso a ti, crê, não minto,
Tu és a cura deste pobre coração partido
Que no amor voltou a acreditar.

Hoje, em minhas veias, eu sinto
Que o meu pranto e o meu gemido
Entardeceram no teu crepuscular olhar.


Comentários

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Em deleitosos versos, podemos observar esse eterno retorno do amor. Esses versos falam muito uma língua, a língua dos que vivem na esfera da contemplação, no ermo redentor, de onde provém toda essa minuciosa observação. É um poema para mim e para todos nós, que se encontram e se reconhecem na solidão, a boa solidão. Parabéns meu grande amigo!

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    1. Obrigado, caro amigo! como sempre preciso , que a boa solidão seja um refúgio para todos nós.

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