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Mostrando postagens de agosto, 2016

Onde mora o amor

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Eu era apenas um simples beltrano Ignorado e esquecido pelo Cupido, Mas não foi por um banal engano Que tive meu coração remido. És a linha entre o sagrado e o profano, Equilíbrio entre o liberto e o oprimido. És a razão sentimental deste espírito cigano Titubear pelo seu caminho lúcido. O amor que do meu peito irradia Também me guiará além da eternidade, Pois amar de verdade é ter a ousadia De desafiar o tempo com a humana fugacidade. No meu peito tens ilustre moradia E uma imensurável cumplicidade. Meu corpo é teu templo, tua abadia, Morada Sagrada de nossa afinidade.

E, fim

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É breve o momento da despedida, Mas seus efeitos continuam após a partida. Quando a única certeza é o ponto final, Não adianta insistir, é melhor trocar o canal.  O fim pode ser o presságio do recomeço, De se reerguer após um breve tropeço.  Quando o "para sempre" subitamente acaba, Não adianta insistir, é melhor repensar a jornada.  São as águas vindouras que movem o moinho E às vezes é melhor até caminhar sozinho. Se quem está ao seu lado já não é boa companhia, Não adianta insistir, é melhor refinar a sintonia. E que fique ao menos a experiência De que não se deve julgar pela aparência. Se a cumplicidade não é a que deveria ser, Não adianta insistir, é melhor deixar a distância crescer.

Foi timidez,

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Hoje acompanho sua felicidade ao largo E estreito a mim trago esse gosto amargo De quem teve a felicidade dentro dum abraço, Mas a deixou escapar passo a passo. Entre conversas e sorrisos o meu amor eu encobria, Enquanto crescia no meu âmago um sentimento à revelia. Não há culpados quando a afeição é suicida E prefere ser taciturna, sacrificando a própria vida. Funesto silêncio, falou mais alto do que o cupido E agrilhoou neste corpo um afeto não compartido! Hoje ela não vive perto nem longe, apenas presente, Mas eu, na vida dela, sou completamente ausente. Para o túmulo levo apenas esta carcaça, Que o amor vitimou na sua eterna trapaça.

A Virtude que arrebata

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Aceito como verdadeira essa harmonia Que me faz transcender o limite humano E com a Hora Completa entrar em sintonia Enquanto se desfaz no meu peito todo engano. Quando o Sacrossanto meu ego silencia, Faz diminuir tudo o que é profano. Quando a fagulha Divina em mim se inicia, Faz reinar na minha vida o Excelso Soberano. Em nome do Pai, planejador de tudo a partir do inaudito, Tive o meu espírito renovado por inteiro tácito. Do Filho, elo com um Amor confesso e prometido, Tive o meu pecado pago e remido. E do Espírito Santo, fonte de toda Inspiração, Tive confirmada a Sublime Renovação.    Créditos da imagem: https://www.facebook.com/joaomauroferreira.panema?fref=ts

Contíguo à vibração

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Entre notas, acordes e uma ou outra frase musical Perdi a noção da minha fisiologia espacial. Entre dedilhados experimentei o Sentimento Harmônico, Vi o aparente inanimado ganhar fôlego fônico. Meu coração se repartiu em dez digitais Quando ofertou ao tempo minhas pegadas musicais. Senti-me como um bárbaro acuado ao contemplar tamanha beleza Que me arrebatou de imediato num golpe cheio de sutileza. Com cada nota livre ao ar meu corpo pulsava, E com os doze sons temperados confabulava, Tal qual os apóstolos da profecia E assim também se fez minha epifania. O Espírito que irradiou daquele instrumento Eternizou no meu peito aquele sagrado momento, Onde o Sublime tornou-se audível E a eternidade me sorriu do impossível.

Quem olha

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Continuo esperando da vida O que ela não espera de mim: Que eu tenha força na lida E obtenha uma resposta no fim. Esperanço da vida O que ela não esperança para mim: Que após a sentença cumprida, O alento se apresente, enfim. No olhar trago a esperança matemática exaurida De quem caminha como um palmeirim Cuja heterose lânguida e frígida Transforma o peito em estufim. Minha descrença não pode ser auferida, Pois da dúvida hiperbólica ela é Delfim. Mas continuarei esperando para a vida O que ela não espera para mim.

O que quer a Poesia?

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Olho para a lamparina que guia meu lirismo, Sempre a contemplei daqui do meu abismo. No negro da noite, molho a ponta da pena E transcrevo a loucura desta velha hiena Cujos risos brotam do alienado sentimental Que para minha loucura é fundamental. Esse transtornado que nasceu desregrado Que insiste em pulsar mesmo descompassado. Enquanto espero as musas cumprirem seu papel, Elevo meu raciocínio ao sétimo céu Esperançando a derradeira epifania Que irá preencher esta despovoada poesia. Este escrito é uma cidade fantasma Onde um último sentimento se debate, se espasma E reluta em se entregar sob urros e gemidos, Pois não quer jazer num cemitério de afetos não vividos.

Suas curvas

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Quando te vi desfrutei de uma epifania sagrada, Nos encaixamos como uma mão e sua luva. Quero ser a resposta da sua charada, Nas luzes ou nas sombras de suas curvas. Minha alma aos teus olhos se entrega, Esperando ser do amor a partida. Assim como uma semente que em si carrega A esperança de uma nova vida. Vou dançar no seu ritmo ofegante, Trate me com suavidade, mas me toque ardentemente!  Deixe que a luz se apague, nossa chama é radiante, E ela aquece nosso amor latente. Quero cair na sua gravidade, Penetrar até o centro desse mundo de prazer. Faça-me esquecer meu nome, esta cidade! Mostre me o desejo que arde em você! 

Fantasmas do passado

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Hoje tua lembrança é uma quimera, Recortes de sentimentos que formam uma fera. Mas se pensar em ti ainda me faz triste É porque em mim algo ainda existe.  Quando eu te avistei, eu entendi o mau presságio, Mas o coração não tem lógica como diz o adágio. Ignorei teus defeitos e a teus encantos me rendi, Paguei um preço alto - Como me arrependi!  O meu jardim florido se transformou num deserto E mesmo diante da catástrofe, eu te queria por perto. Uma lança alada me libertou dos grilhões que eu forjei, Mas apesar de tudo saiba que eu te amei. Hoje trago esse sentimento no peito transformado Na esperança de que não se repita o passado. Depois da terrível tempestade vem a bonança E no Verdadeiro recíproco amor mantenho a esperança.

Andarilho de mim

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Vou vencendo a distância a passo lento Através da alvoroçada multidão, Atento ao murmúrio, ao lamento De uma voz que vem de dentro em oblação. A separação que me preocupa habita Os estreitos da minha mente E não importa o quanto eu insista, Esse intangível espaço é crescente. No meu aspérrimo caminho, sou Andarilho não quer mais estar, prefere ser. Colecionando flores e espinhos, vou  Seguindo na jornada chamada crescer. Quero reencontrar aquele esperançoso menino Que outrora conhecia o valor do sorriso. Que nos olhos carregava a luz do seu destino E por isso não se importava com o amanhã impreciso.

Poesia Imortal

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Dizem que a Poesia morreu, acaso será crível Que morra o Imortal? Não pode ser verdade, Pois para que isso seja possível, Só se morrer também toda a humanidade. Ela é como a esperança companheira  Das horas sofridas, das horas de amargura. É como um bálsamo aplicado na alma inteira E cada fresta, aberta pela agonia, cura. Se uma alma em seu peito albergar a melancolia  E puder contemplar a face alva traçada  Pela mudez negra da tinta que inebria, Terá sua essência animadora transfigurada. Enquanto houver um sonho banhado  Na doce luz da primeva ilusão, Um eco sussurrará no coração magoado E renascerá mais uma vez a Emoção.

Crepúsculo da dor

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Fitei teus belos olhos escuros, Aurora soturna das horas notívagas do porvir. Brilhavam tanto, tão puros, E como uma mariposa, não consegui fugir. Taciturno olhar, quem diria, Que transformaria em sombras os lamentos ? E ao vê-lo assim, que teria Um afago em meio aos meus tormentos. Estou preso a ti, crê, não minto, Tu és a cura deste pobre coração partido Que no amor voltou a acreditar. Hoje, em minhas veias, eu sinto Que o meu pranto e o meu gemido Entardeceram no teu crepuscular olhar.

Através de ti

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Nós te esperamos desde antes de você nascer, Ansiosos para vermos teu rosto e teu sorriso. Agora que caminhas entre nós, podemos ver Que és a dose perfeita do nosso amor preciso. Te vestimos com nossas esperanças e cuidados Para que na sua longa jornada, Mesmo que os dias à frente estejam nublados, A chama no seu peito não seja apagada. És a certeza crescente da sublime devoção, Prova viva que em ti pulsa nosso coração. Os momentos são preciosos ao teu lado E cada segundo vivido ao vivo é sagrado, Pois quando nossos sorrisos forem ecos na sua memória, Queremos que com Vida tenha sido escrita nossa história. Créditos da imagem:  https://www.facebook.com/joaomauroferreira.panema?fref=ts

Alma estilhaçada

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Estou colhendo a minha semeadura de escolhas erradas, Meu caminhar é sem rumo e o precipício é minha sorte.  O desespero é meu conselheiro nas madrugadas E ao meio dia, me sonda a morte.  Em meu peito bate um coração desfalecido Pelas montanhas de dor e pelo oceano de lágrimas Que enfrentei até aqui, mas a Ti elevo meu olhar perdido Na certeza da cura para as minhas lástimas.  Meu coração está em brasas e agora posso ver  Que de um novo recomeço ressoa a Salvação  Rasgando o véu da escuridão.  Aos Teus pés dobro meus joelhos e posso crer Que ascendi aos céus ao derrubar meu orgulho no chão E ao prostrar-me diante de Cristo alcancei meu galardão!  Créditos da imagem:  https://www.facebook.com/joaomauroferreira.panema?fref=ts

O valor do toque

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Entre publicações tento encontrar uma oração amiga, Mas mesmo com o mundo ao alcance da mão, Nada encontro e continuo minha fadiga Colecionando migalhas de uma ou outra emoção. Nestas palavras, também segue uma oração Que não tem destinatário ou remetente, Ela é a voz material de um dissonoro coração Cuja vida se esvai pouco a pouco, lentamente. Num mundo cada vez mais conectado, A solidão também viaja à velocidade da luz. São raros os contatos ombro a ombro, lado a lado, O indivíduo ao distante virtual se reduz. O homem se rendeu a uma tela de cristal E só através dela ele se permite emocionar. Mas que o etéreo não substitua o relacional, afinal, A relação empírica tem muito mais a presentear.

When it is over

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So long ago? You are still beautiful. The distance and the years They didn't make me forget you nor my fears And after missteps, mistakes and pain I didn't expect to see you again. In the light of my drunkenness And in their eagerness to be right, I see it was a moment of lucidity, It was like seeing an oasis in the desert. Can you, at least, sit down and talk? Let's get the conversation flowing. Do not feel obliged I don't want to force the door, Just enjoy a good company while I don't drop in the floor. They say, remember it is to live, That's enough for my tired heart. It was a great pleasure to see you again And revisit, with joy, the past.

Caminhando no Amor

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Nossos altos e baixos fizeram nossa história, Hoje, te trago comigo, muito além da memória. Contigo aprendi o que é reciprocidade, E que abrigo não é só o que me protege na tempestade. És minha chegada e partida, A expressão máxima do significado da vida. Chegada, no que eu imaginava ser inalcançável. Partida, rumo ao imensurável. Nos teus olhos, vejo o melhor de mim, No teu abraço, eu não temo o fim. Ao teu lado é breve a eternidade E o teu amor é meu maior exemplo da verdade. Quando você tocou minha alma, pude perceber Que pode levar até uma vida inteira para acontecer, Mas amar refaz toda sua realidade E que ser feliz não é uma invenção, na verdade.