Julgamento
Sou poema insensível que nunca foi lido, Elegia jubilosa jamais ouvida. Um menino que ainda caminha perdido, Como uma ave com a asa ferida. Minha jornada é um atalho sofrido, Uma passagem, fantasmagoria colorida, Alegria feita de um tormento comedido, Um amontoado de sonhos desfeitos, soluço de vida. E como pássaro incompleto que da lida é refém, Que não sabe aonde vai, nem de onde vem, Peregrino recolhendo meus estilhaços. A própria vida é a Cruz do meu calvário E não há como negociar um vicário Para o derradeiro juízo dos meus passos.