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Julgamento

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Sou poema insensível que nunca foi lido, Elegia jubilosa jamais ouvida. Um menino que ainda caminha perdido, Como uma ave com a asa ferida. Minha jornada é um atalho sofrido, Uma passagem, fantasmagoria colorida, Alegria feita de um tormento comedido, Um amontoado de sonhos desfeitos, soluço de vida. E como pássaro incompleto que da lida é refém, Que não sabe aonde vai, nem de onde vem, Peregrino recolhendo meus estilhaços. A própria vida é a Cruz do meu calvário E não há como negociar um vicário Para o derradeiro juízo dos meus passos.

Quando te vi

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Eu me percebi menino, na estrada, perdido, Como as letras de um poema nunca lido E aos teus olhos, eu já não era mais segredo, Enfim ganhara vida meu inanimado enredo. Contigo anda bailando o meu sentido E por essa afeição, que me nutre, sou mantido. A outrora arvoreta do amor, hoje é arvoredo, Não me adoece mais a agreste seca do medo, Na minha alma arde o próprio Amor E por você ele renasce todo dia em flor. Assim, nunca nos alcançará a frieza inverno Porque ao seu lado todo momento será terno. Que se desmintam as certezas, se quebrem os diamantes, Mas nosso amor permanecerá sempre triunfante!

Fim e início

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Esse sou eu, primeira pessoa do singular Que no mundo anda perdido, sem um lar. Sou aquele cuja vida não tem um norte, Fruto sem sementes, do sonho e da sorte. A noite, lá fora, vem pousando devagar E vem sozinha não traz a benção do luar, Me conduzindo àquela de quem sou consorte, Àquela que me desposou desde a vida, a morte. Uma lágrima me corre o rosto, branca e calma, Mas saibas que ela brotou dentro da alma E se assim transmito a calmaria de um lago É porque carrego o peso de um peito vago Que só não é mais vago do que o infinito, Cujo início é sob uma lápide de granito.

Livre, livro

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Livro você do cativeiro ideológico unilateral, Mas abandone a necessidade de ter uma resposta. Não posso te dizer o que pensar, afinal, Fazer você raciocinar sozinho é a proposta. Posso ser a extensão material da memória Ou a dilatação paupável da imaginação. No meu corpo trago escrita a trajetória Ou a antologia de uma ou outra ilusão. Sua vida vai estar salpicada sobre mim E suas cicatrizes vão completar as entrelinhas. Nossa jornada continuará mesmo depois do fim E suas continuações serão também as minhas. Se estou aberto, podemos conversar Pois vou muito além de um mero registro. Se estou fechado, sou um amigo a esperar, Não lembra meu nome? Pode apenas me chamar de livro.

A cura amarga

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Teu amor sempre foi uma vela acesa Me guiando através da seara sombria, Mas assim como o lume perde sua beleza, Também se desfez tua sentimental fantasia.  Os teus carinhos se foram depressa E o teu amor me faltou na jornada A triste noite acérrima começa A me envolver enquanto sigo na estrada. Porém, prefiro viver a amarga verdade A continuar a dulcíssima mentira Eu quero amor, não a vã vaidade, Mesmo que no momento me cause ira. Os fragmentos no meu peito pulsam dispersos E suas ações nos trouxeram à fatalidade, Nossa vida não cabe mais nos mesmos versos  E a cura precisa é a incondicional verdade!