Precipício imortal
Tempo, inevitável precipício,
De onde não escolho se vou pular,
És meu sedento algoz, desde o início,
Esquadrinhando meu caminhar.
Tento procrastinar a minha vida
E adiar o meu anoitecer,
Pois não há garantias na sobrevida,
Tal qual não há no amanhecer.
Eis o que me resta: o instante,
Estilhaço fulgaz da eternidade,
Já que na vida a única constante,
Assim como este verso está atempo,
É a sempre presente imprevisibilidade
Porque tudo começa e termina através do tempo.
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