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Resgatado pela Musa

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Ela, que anda em verso e deixa rastros de poesia, Que é meu labirinto e minha estrela guia. Por ela sinto aquele amor sublime e forte Que certamente durará após a morte. Ela, que perambula entre a lenda e o milagre E cujo coração abarca todos os desejos. Não importa quantos versos eu a consagre, Perto das chamas do seu olhar, serão sempre lampejos. E foi com esse olhar que incendeia almas, Um fogo-amor vivaz, eterno, que beira o divino, Que ela resgatou esse ser de barro e o elevou ao sagrado! Curou minhas feridas, acautelou meus traumas, Já não temo mais o incontrolável facho do destino, Pois sei que sou inabalável ao teu lado.

Leve Tudo... e o Meu Amor

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E cinza se fez o amor que ardia incendiado, Restam ruínas e um sentimento excipiente. Mas não se agarre a esse corpo inanimado, Não olhe para trás, para esse coração decadente. Apenas lembre, antes de me relegar ao passado, Te dediquei meu melhor, o que tinha de mais eminente. Não foi o suficiente para o teu gosto refinado E sobrou o nada, esse espectro penitente.  Agora seguirei como espírito merencório Que perdeu a paz, a fé e a confiança, Que se tornou o eco de um lamento. Um fantasma que presidiu o próprio velório Quando viu você partindo e levando a esperança E deixando uma alegria transformada num tormento. 

O ADEUS JAMAIS DITO

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Chamo-te aos gritos, mas não me respondes. Beijo-te as mãos e o rosto, mas sinto frio. Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes Por detrás do terror deste silencioso vazio. Sei que é como um suspiro tão tímido, a vida, E breve como o expirar da respiração sorvida. Contudo, abre ao menos os olhos, diz que sim, Que nem a morte te afastou de mim, Que não és uma presença cinzelada em pedra dura E que ainda ouves minhas palavras de ternura! Todavia, saibas que mesmo estando vazio teu leito, Sempre terás morada dentro do meu peito. Continuo seguindo como alguém que chegasse, Carregando lágrimas memoriais na sua face, Ao derradeiro e inevitável momento da despedida, Esperando que o reencontro dure mais do que a vida.

Somos um

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Numa silente sombra de outono Não foi só a noite que caiu. Agora, quer desperto ou no sono, Minha razão é tua servil. Ao te olhar, percebi que encarara O reflexo d'outras vidas na minha frente. Um amor esculpido em Carrara, Que como a pedra, esconde que sente. Então te suplico: manuseie com cuidado Esta alma pelas estações da vida desgastada Que carrega consigo cicatrizes do passado E algumas pedras da estrada.

Como antes

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- Oi, não sabia que estaria aqui! Ver você foi como estar num turbilhão de sentimentos, Quando éramos jovens, dividíamos tantos momentos. Mas você parece ter saído de uma fotografia, A personificação de uma viçosa melodia. Mas se houver a chance de ficarmos sozinhos, Podemos conversar antes de seguirmos nossos caminhos? Estive esperando por isso noite afora, Gostaria de ti ouvir antes de você ir embora. Você continua a mesma de quando te conheci, As dimensões continuam se dobrando diante de ti, Como se você fosse a arquiteta da realidade E tudo se rendesse a sua vontade. Até o tempo, algoz de todos, contigo é carinhoso, Pois causa em você um efeito caridoso Que se reflete no seu rosto sempre sorridente E na sua presença luminescente.

Julgamento

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Sou poema insensível que nunca foi lido, Elegia jubilosa jamais ouvida. Um menino que ainda caminha perdido, Como uma ave com a asa ferida. Minha jornada é um atalho sofrido, Uma passagem, fantasmagoria colorida, Alegria feita de um tormento comedido, Um amontoado de sonhos desfeitos, soluço de vida. E como pássaro incompleto que da lida é refém, Que não sabe aonde vai, nem de onde vem, Peregrino recolhendo meus estilhaços. A própria vida é a Cruz do meu calvário E não há como negociar um vicário Para o derradeiro juízo dos meus passos.

Quando te vi

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Eu me percebi menino, na estrada, perdido, Como as letras de um poema nunca lido E aos teus olhos, eu já não era mais segredo, Enfim ganhara vida meu inanimado enredo. Contigo anda bailando o meu sentido E por essa afeição, que me nutre, sou mantido. A outrora arvoreta do amor, hoje é arvoredo, Não me adoece mais a agreste seca do medo, Na minha alma arde o próprio Amor E por você ele renasce todo dia em flor. Assim, nunca nos alcançará a frieza inverno Porque ao seu lado todo momento será terno. Que se desmintam as certezas, se quebrem os diamantes, Mas nosso amor permanecerá sempre triunfante!